
Eu aprendi o sentido desse trecho.
Ontem eu fui na Funase, antiga Febem. Eu fui em missão pela Infância Missionária. Faça o seu conceito sobre a "Febem" que agora eu vou falar o que eu vi, senti e o meu conceito sobre lá.
Chegando lá, tia Simone contou uma história em que a moral dela era: a sua vida depende das suas escolhas.
Depois cantamos parabéns pros aniversariantes do mês e eu vi um menino aparentando ter uns 10 anos no máximo. Me aproximei e fui conversar com ele. Na verdade ele tinha completado 13 anos e estava preso a 2 meses e 10 dias e sua sentença era de 3 meses. Ele é de Toritama e foi preso por porte ilegal de armas. Ai você se pergunta: pra quê um menino de 13 anos tava com uma arma? Ele trabalhou cuidando de porcos pra comprá-la. Ele também falou que estava sendo ameaçado. Enfim, ele foi pego e está preso. Longe de casa, da família. Eu notei que ele estava muito decidido a mudar quando saísse dali. Eu perguntei se os companheiros de cela dele também. Ele falou que não, que há uns que querem outra vida, outros que não. Nesse momento senti medo, aflição, e tive a sensação que o mundo ia acabar ali.Depois eu fui conversar com uns presos mais velhos, de 15 anos. Haviam dois e as meninas já tavam conversando com eles. Um foi preso por assalto, o outro por arrombamento. Nesses dois eu não notei nenhum pouco de arrependimento. O que havia assaltado, falou que aquela não tinha sido a primeira vez que tinha realizado esta ação, mas a primeira que foi pego. Ele também falou que roubou não por necessidade do dinheiro, mas sim pelas drogas. Ele fumava maconha e o outro pedra.
Depois disso, quase na hora de irmos embora, a assistente social, Simone ( não é a mesma tia Simone não ), foi nos explicar um pouco mais sobre o local. Ela falou que existem dois 'níveis'. Um são 45 dias em que você fica preso e o seu caso vai até a juíza, e nesses 45 dias ela vai definir a sua vida. Ela faz 3 audiências, se essas 3 audiências não forem realizadas nesses 45 dias, o "pequeno infrator" ( assim são chamados os jovens lá ) é praticamente solto.
Como em todo lugar, sabemos que lá há pessoas decididas a mudar, como também não. Ela falou que há alguns meninos que pedem a ela pra ficar lá, porque sabem que se sair vai se meter em encrenca de novo. Isso me deixou chocada. Como é que tem pessoas que preferem ficar ali, naquele lugar frio, fedorento, feio, distante da sua família a voltarem a suas vidas normais? Talvez a eles não tenham casas, família, um lar onde saiba que quando estiver cansado de tudo vai poder se aconchegar no braço de alguém e contar seus problemas, ou nem precisem chegar perto, pois viriam até eles e estariam dispostos a ouvi-los e ajudá-los. É, talvez a casa deles fossem mais frias, mais perigosas. Talvez nesse lugar sujo, frio, longe de sua família eles se sentissem seguros. Seguros até dos próprios "amigos". Amigos nada! É, talvez ali alguém se importa com eles.
Enfim, descemos e fomos conhecer as celas.
É como se fossem 4 casinhas ao ar livre, em que essas casinhas são longas e aparentemente divida em cômodos e as suas 3 janelas fossem gradeadas pra não passar nenhum perigo para eles. Quando me aproximei, vi que não era bem assim. Ficam um monte de meninos em uma dessas divisões da "casinha" e essa casinha não tem o cheiro do meu quarto. Da vontade de vomitar.
Voltando pra casa, pensei muito no que poderia tirar de lição dessa visita:
Primeiro: no mundo depois da sua janela, você é o único responsável pelos seus atos. Seja de maior ou não. Seja consciente pelos seus atos, portanto, repense antes de agir.
Segundo: valorize muito, muito mesmo tudo o que você tem. Amigos, família, professores, oportunidades. Agradeça a Deus todos os dias por ter colocado essas pessoas maravilhosas na sua vida. Agradeça muito pela sua família. Muitos do que estão lá, é que suas famílias são desestruturadas e não os educam de maneira adequada a viver nessa dura realidade que é o mundo em que enquanto muitos não conhecem, outros não conseguem mais sair.
Terceiro: você, que não foi pra lá, você que forma o conjunto formado sociedade, seja um cidadão consciente. Pois muitos que estão ali é culpa da sociedade, da política. Claro que eles tem a maioria da culpa, mas a sociedade também tem! Quando saírem de lá eles sabem que vão ser vítimas de um preconceito muito grande, então se ninguém os acolher, o que eles vão fazer? Voltar pro mundo do crime. Eles precisam da nossa ajuda. Ou, você pode ser a próxima vítima.

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